Na tatuagem estampada a negrito no seu
braço direito, lê-se: "Eu sou Cos livre." Os seus
ténis de competição vermelho brilhantes,
contrastam com o preto e amarelo, cor da sua amada bandeira
aborígine australiana, com ela enrolada após terminar
as corridas, recebendo aplausos e
ovações.
Cathy Freeman orgulha-se de ser uma
estrela como atleta, orgulhosa por ser nativa australiana.
Foi a primeira atleta aborígene da Austrália a
representar o país nas Olimpíadas (em 1992), Cathy
nascida em 16 de fevereiro de 1973, quebrou um tabu, que jamais se
pensaria ser possível num país com raízes
profundas no racismo contra os seus próprios nativos.
Embora a sua carreira desfolhava-se rápido como uma
página solta, até atingir o topo da classe mundial
sem precedentes históricos no atletismo, ela foi objecto de
uma mistura de controvérsia e de louvor, graças
á paixão ostensiva e desenfreada da sua
herança.
Num gesto genuíno e corajoso, em 1994 os Jogos da
Commonwealth, Cathy após a sua vitória, deu a volta
de honra com a bandeira aborígene enrolada nos ombros, mais
tarde carregou a bandeira australiana. Foi uma
proclamação pública dos direitos
políticos aborígenes, numa poderosa
declaração.
Cathy declarou ao New York Times, "O tempo dirá quando eu
poderei ser um instrumento na política e assuntos
aborígines. Mas agora, acho que estou fazendo uma grande
parte desse papel."
A sua proclamação dos direitos foi objecto tanto de
crítica e de louvores públicos australianos e
inclisivé das entidades oficiais. Em 1994 com o seu gesto,
ela recebeu mais de 5000 faxes de apoio após a sua
vitória, incluindo um do então primeiro-ministro
australiano Paul Keating. Mas ela também foi alvo de pesadas
críticas de Arthur Tunstall, Presidente do Comité
Australiano dos jogos da Commonwealth.
Ela continuou sendo prejudicada, não obstante o seu talento
e glória que trouxe para a Austrália. Ela atrai tanto
a crítica dos média e do público em geral
reprovando o seu orgulho na sua cultura, que deveria ser mantido em
silêncio. Houve ainda um apelo para a sua
nomeação como porta-estandarte da bandeira
Australiana para a Cerimónia de Abertura dos Jogos
olímpicos de Sydney 2000, criando enorme celeuma e com
imensas declarações escritas contra a sua
escolha.
"Eu queria mostrar o orgulho de quem sou e de onde eu venho.
Gostaria muito de um dia sair para o mato e passar algum tempo com
os anciãos da minha cultura, e voltar para as minhas
raízes", afirmou Cathy.
A resposta negativa não a desencorajou a demonstrar o seu
orgulho na cultura aborígene de qualquer das formas.
Após a sua vitória nos 400 mts do Campeonato Mundial
1997, ela repetiu a façanha de 1994.
Mas em 1998, foi nomeada figura do ano australiana, uma das maiores
honras civis na Austrália. Em 1990 ela tinha sido a jovem do
ano australiano, fazendo dela a única pessoa reconhecida com
ambas menções honrosas. Talvez reconhecida como
australiana, não aborígene, a bandeira acompanhou-a
na revalidação do título mundial no Campeonato
do Mundo 1999. Ela foi posteriormente seleccionada para transportar
a tocha olímpica no último trajecto da chama
olímpica.
Depois de iluminação da tocha, Cathy citou: "Muito do
que eu fiz é aborígine. Este facto deve ser
comemorado, e não abusado. Eu amo o habitat de onde eu
venho, mas não estou nas Olimpíadas para ser figura
política. Não penso para mim qual a próxima
etapa no reconhecimento aborígene. "Enquanto alguns podem
tomar isto como um pensamento hipócrita de alguém que
pensa ser um percursor dos direitos aborígines, na
realidade, apenas quero provar que as minhas acções
são espontâneas e não planeadas. São
ditadas do meu interior, sem uma reflexão e
consequência, negativa ou positiva.
Entre uma infinidade de prémios, Cathy foi nomeada para os
Laureus do desporto como Atleta Feminino do Ano 2000, equivalente a
um Óscar desportivo. Ela integrou 16 equipas de estafetas da
Austrália, 5 campeonatos do Mundo, 3 Jogos Olímpicos,
e 3 Jogos da Commonwealth, 2 campeopnatos do Mundo Juniores, 2
campeontanos mundiais indoor, e uma Taça do Mundo. Com um
palmarés de 13 medalhas em grandes competições
internacionais, 7 das quais foram de ouro. Ela estabeleceu 9
recordes australianos, sendo ainda recordita dos 400 mts da
Commonwealth. Sexta marca mundial nos 400 mts.
Uma promotora destemida da cultura aborígine, Cathy Freeman
provou ao mundo com o seu talento desenfreado e sem limites, com
forte determinação pessoal e habilidade natural, o
poder de reconhecimento de uma cultura ancestral.
Fonte: Runnersworld América