Carlos Alberto de Sousa Lopes
ambicionava jogar futebol no Lusitano de Vildemoinhos, o clube da
sua aldeia. O clube rejeitou-o por ser excessivamente magro. Como
ele próprio contou mais tarde, o atletismo surgiu por acaso.
A primeira prova oficial de Lopes foi numa corrida de
São Silvestre, tinha 16 anos. Lopes ficou em segundo lugar,
competindo com atletas bem mais experientes. Posteriormente, ganhou
o campeonato distrital de Viseu de crosse, e quase de seguida foi
terceiro no Campeonato Nacional de Corta-mato para júniores.
Essa classificação, levou-o pela primeira vez ao
Cross das Nações, em Rabat Marrocos. Lopes foi o
melhor português, em 25º lugar com apenas 17 anos
de idade.
Em 1967, Carlos Lopes foi
recrutado pelo Sporting Clube de Portugal. A
ida para Lisboa, deveu-se tanto a razões desportivas, como
à promessa de um melhor emprego. É no Sporting que
encontra o treinador da sua vida, o Prof.
Moniz Pereira. Moniz Pereira foi o
mentor de várias gerações de ouro de
atletas portugueses de fundo e meio-fundo.
Em 1975, Carlos Lopes e alguns
atletas do Sporting passam a treinar duas vezes por dia. Lopes era
dispensado do seu emprego (entretanto foi contínuo no jornal
Diário Popular e num banco) na parte da manhã.
Entrava-se assim, na era do semi-profissionalismo.
Face ao incremento dos treinos,
em 1976 Lopes ganha pela primeira vez o Campeonato do
Mundo de Corta-mato, que nesse ano se realizou em Chepstown, no
País de Gales. Lopes fez uma corrida
magistral, demonstrando uma enorme auto-confiança, apurado
sentido táctico e muito boa ponta final.
No Verão de 1976 Carlos
Lopes teve a honra de ser o porta-bandeira da equipa portuguesa
durante a cerimónia inaugural para os Jogos Olímpicos
de Montreal Canadá, uma das grandes
esperanças lusas na obtenção de um resultado
de relevo, após a sua passagem sem glória pelos Jogos
Olímpicos de Munique 1972.
Na
final dos 10.000 metros, Carlos Lopes forçou o andamento
desde o início, sempre em contra-relógio. Seguindo as
instruções de Moniz Pereira, a táctica era a
de rebentar com a concorrência (ou com ele
próprio...). De facto, Carlos Lopes iniciou o último
meio quilómetro bem destacaado do pelotão. Mas
não ia só. Lasse Virén o atleta da
Finlândia, que afimava que o seu sucesso estava na sua
suplementação através de "leite de
rena", tinha sido o único a
conseguir acompanhar Lopes. Nas últimas centenas de metros,
Virén atacou forte, ultrapassou Lopes e ganhou a medalha de
ouro. Lopes foi segundo e teve de se
contentar com a medalha de prata. Virén era um atleta de excepção, e ganhou
também o ouro nos 5.000 metros.
Era a primeira vez, desde
há décadas, que Portugal conquistava uma medalha
olímpica, e a primeira do atletismo.
Carlos Lopes tinha contas a
prestar com a história, após um período
conturbado com inúmeras lesões entre 1977 e
1982, Carlos Lopes chegava à maratona
dos Jogos Olímpicos de 1984 em Los Angeles, com 37 anos
de idade, onde o favoritismo era para Alberto Salazar e Robert de
Castella, mas numa prova bastante rápida para as
condições climatéricas adeversas, ainda hoje
é recorde olímpico com 02h09'21'', venceu a
prova da maratona, tornando-se o primeiro
português a ser medalhado com o ouro nos Jogos
Olímpicos.
Com um palmarés
invejável, aos 38 anos de idade Carlos Lopes, bateu o
recorde mundial da maratona com 02h07'11'', na Maratona de
Roterdão, além dos três campeonatos de mundo de
corta-mato conquistados.
Carlos Lopes foi um dos atletas
mais brilhantes do meio-fundo e fundo mundial da década de
70/80, conjuntamente com Fernando Mamede acabaram com a letargia
das provas de 10.000 mts, obtendo marcas de relevo, batendo
máximos mundiais e europeus da distância.
Palmarés:
1976
venceu o Campeonato do Mundo de Corta-mato.
1976
2º Lugar nos Jogos Olímpicos de Montreal.
1977
2º Lugar no Campeonato do Mundo de Corta-mato.
1982
venceu os 10000 metros de Bislett Games em Oslo.
1982
venceu a Corrida de São Silvestre de São Paulo,
Brasil.
1983
2º Lugar no Campeonato do Mundo de Corta-mato.
1983
2º Lugar na Maratona de Roterdão.
1984
venceu o Campeonato do Mundo de Corta-mato.
1984
2º Lugar no Meeting de Estocolmo, em 1º lugar ficou outro
português Fernando Mamede redorde do mundo.
1984
venceu a Maratona dos Jogos de Los Angeles, estabelecendo o recorde
olímpico da prova
1984
venceu a tradicional Corrida de São Silvestre de São
Paulo, no Brasil.
1985
venceu o Campeonato do Mundo de Corta-mato
(cross-country).
1985 venceu a Maratona de
Roterdão quebrou o recorde mundial da prova.